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O que dados e Inteligência de Mercado podem nos dizer sobre Visibilidade Trans x Mercado de Trabalho?

O que dados e Inteligência de Mercado podem nos dizer sobre Visibilidade Trans x Mercado de Trabalho?


Nesse último sábado (29), foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Esse momento deve ser lembrado com respeito e relevância por todos nós que acreditamos na diversidade e na promoção da cidadania. 

Entendemos que, cada vez mais, é necessário ampliar o conhecimento e fazer valer a voz de quem luta para ter o seu lugar ao sol e para garantir seus direitos: saúde, nome, teto e trabalho. 

Preconceito, violência, falta de afeto e estatísticas cruéis marcam a vida do público trans no Brasil. As baixas oportunidades de emprego tiram delas a esperança de uma vida melhor e mais digna.

Trazemos aqui alguns dados e análises que mostram o alcance da causa, que trazem um raio x das necessidades de um grupo e um convite para fazer parte de uma rede de acolhimento e participação em um causa tão nobre como essa. 

O que as buscas revelam sobre o universo trans?

De acordo com o Google Trends, o Brasil é o país que mais buscou por "transfobia" nos últimos 12 meses. 

"Nome social" e "redesignação sexual" são direitos relevantes para o movimento e muito buscados nos últimos anos.

Por conta disso já existem serviços gratuitos de utilidade pública destinados a retificações de nome e até empresas que possibilitam cobrir os gastos cirúrgicos de seus funcionários que se identificam como pessoas trans. 

Com o avanço de estudos de gênero, novos termos ganham força na busca. E buscas como "transexualidade" dentro da vertical de política bateram recorde em mês de eleições municipais, termômetro da necessidade de uma representatividade em qualquer esfera que as façam sentir realmente identificadas nessa luta.

Uma pesquisa da Zaygon sobre a leitura de um universo de 5,5 milhões de interações nas redes sociais - abordando "Universo trans e emprego" - mostrou que o tema "Oportunidade" foi o que teve maior número de tweets realizados no dia 29 de janeiro de 2021, dia da Visibilidade Trans e Travesti. 31% desse grupo está em busca de oportunidade e 47% busca visibilidade, os demais abordam assuntos como empreendedorismo. 

Muitas pessoas trans se sentem marginalizadas em uma sociedade infelizmente ainda estruturalmente machista, que "solta a mão" de pessoas talentosas, determinadas, resistentes e tão importantes para a construção de uma comunidade diversificada apenas pelo seu reconhecimento trans. 

Prova do talento e determinação são os inúmeros casos de superação de mulheres trans em diversos setores da sociedade: nas artes, nos esportes, na vida acadêmica. A advogada Marcia Rocha, cofundadora do projeto social TransEmpregos, por exemplo, se tornou a primeira travesti a compor o conselho da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP).

 

Mercado de trabalho Trans x "Oportunidade" 

  1. A comunidade LGBT representa cerca de 10% da população mundial. 
  2. Pesquisa feita pela Fapesp indicou que apenas 13,9% das mulheres trans e travestis tinham emprego formal no estado de São Paulo.
  3. A pesquisa "Demitindo Preconceitos" da Santo Caos - consultoria de diversidade e inclusão social empresarial - mostrou que 38% das empresas pesquisadas* têm restrições para contratar profissionais LGBTQI+

*universo amostral: 230 empresas 

Empresas que respeitam a diversidade e acolhem profissionais transgênero ainda são poucas no Brasil. Entre tantas barreiras, ainda existe a indisponibilidade de vagas no mercado. 

Aliados! 11 empresas que são pró-LGBT (uol.com.br)

 

Linha do tempo da Comunidade Trans

Abandono, insegurança, exclusão e invisibilidade são situações comuns à comunidade TRANS que impedem a sua participação na sociedade.

Apesar das conquistas de décadas de luta e ativismo ainda existe uma dura realidade da nossa sociedade e que continuamente precisa ser enfrentada. 

O infográfico abaixo ilustra como a realidade vivida de abandono e rejeição dificulta o acesso ao básico para a sobrevivência dessa comunidade NA PRÁTICA:

 

Marcas de uma história de luta... 

Para entender melhor esse movimento de abandono do público T dos sistemas da sociedade e como isso serve de base para impedir que as oportunidades aconteçam, convidei  Adriano Viana - que faz parte do movimento LGBTQIA+, é cabeleireiro e vive esse universo de perto - para dizer um pouco o quanto a luta é diária: 

"O jovem quando se reconhece e se identifica como trans muito cedo, e não tem apoio da família, ele se depara com a única chance da vida - a criminalidade ou a prostituição. Por não ter apoio dos pais, da família e da sociedade, por não ter cultura e por não ter educação, não desenvolve uma carreira específica que ele tenha escolhido ser: um médico, um advogado, um artista, um professor e uma infinidade de outras possibilidades porque ninguém apoia. E o único meio que essa pessoa se vê perante a sociedade é na prostituição. Por isso são marginalizadas, mas é a única forma que elas tem de sobrevivência e de lá que elas tiram o sustento para comer, pra viver e pra morar. Se tivessem apoio dos pais, carinho da família e sociedade teríamos uma jovem trans com infinitas possibilidades..."

Adriano Viana - cabeleireiro, LGBTQIA+ sobre o universo trans e a falta de oportunidades. 

 

Mas como toda luta tem seu lado bom... 

Diante das poucas possibilidades políticas e pouco apoio governamental, existe um caminho paralelo de amparo e inclusão social através de startups, ONGs e projetos sociais e apoio também de empresas privadas que já entenderam a importância de se fazerem presentes em lutas como essa. 

São instituições criadas para acolher, preparar, capacitar a população trans e fazer o intermédio entre elas e as empresas, gerando oportunidades de emprego. Trouxe para vocês 5 projetos que vem fazendo um trabalho incrível e que merecem os nossos aplausos. Podemos participar divulgando, ajudando financeiramente e dando visibilidade para que mais empresas façam parte dessa rede de apoio. 

Precisamos cada vez mais que a sociedade seja uma aliada, para que o público trans não tenha que lutar pelos direitos básicos: existir, sobreviver, pertencer. Já estamos na fase de reconhecer suas capacidades: criar, produzir, contribuir para uma sociedade de talentos sem preconceito.

Já passou da hora. Diversidade agora!

 

 

5 Projetos Sociais admiráveis que merecem os nossos aplausos: 

O Transempregos é o maior e mais antigo projeto voltado para a empregabilidade de profissionais transgêneros que atua no Brasil inteiro.

A iniciativa procura vagas específicas para o público transexual. São mais de mil empresas conectadas e quase 23 mil indivíduos à espera de uma oportunidade.

Saiba mais em @transempregos

 

A Casa 1 é um projeto que acolhe pessoas LGBTQIA+ que foram expulsas de suas casas. Através da Clínica Social Casa 1, são oferecidos plantões de escuta online e de graça para as pessoas da LGBTQIA+.

A república (centro) de acolhida, conta com 20 vagas para jovens LGBTQIA+ expulsos de casa, onde é ofertada, além da morada, alimentação, auxílio nas áreas de educação e empregabilidade, assim como assistência social e suporte de saúde clínica e mental.

Saiba mais em: @casa1

 

A Camaleao.co é uma startup que conecta as oportunidades de emprego das empresas com a comunidade LGBT+. Recrutamento e seleção, consultoria, mentoria, treinamentos internos, materiais internos, cursos, palestras. Fundada em 2017, a empresa conta com um catálogo de clientes como Natura e Ambev.

Possuem plataforma própria para divulgar as vagas dos usuários e procurar candidates LGBTQIA+; Banco de talentos com mais de 3400 pessoas.

Saiba mais em @camaleao.co

 

 

A Mais Diversidade faz a inclusão de negros, LGBTQIA+, mulheres e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, dando consultorias multidisciplinares para diversos setores da empresa, com uma visão global de diversidade.

É uma das ganhadoras do 1º Prêmio Vozes da Mobilidade, promovido pelo Estadão.

Saiba mais em @maisdiversidade

 

 

 

O educaTRANSforma é um projeto social e consultoria em diversidade com foco na capacitação gratuita para pessoas trans e inserção desse público em tecnologia no Brasil.  Somente em 2021, a iniciativa formou mais de 500 pessoas trans em programação e outras técnicas relacionadas à área de TI. 

Saiba mais em @educatransforma

ZAHG Academy
Elaine Venga
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Sou gerente da área de Inteligência Estratégica da Zahg. São anos de experiência trabalhando para entender o comportamento de pessoas, marcas e mercado, por meio da observação constante de tendências e inovações que permeiam os mais diversos setores.

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