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Propagando a diversidade com dados e estatísticas

Propagando a diversidade com dados e estatísticas

Neste dia 04 de dezembro, o mundo publicitário comemora o Dia Mundial da Propaganda. Uma data que teve sua origem em 1936 em um encontro de profissionais em Buenos Aires e que posteriormente em 1970, adquiriu reconhecimento global.

Independente de que data seja considerada a oficial, o fato é que a propaganda como a conhecemos já chega aos dias de hoje com muitas décadas de evolução, acompanhando as mudanças da própria sociedade.

 

A propaganda se atualizou em termos tecnológicos, ficou digitalizada, descentralizada e globalizada, assim como diversos segmentos do mercado de consumo. E se evoluímos atualizados com os temas tecnológicos, por que razão não haveríamos de acompanhar as mudanças comportamentais geracionais do público a quem destinamos nossas mensagens?

 

Vivemos um mundo com um novo contexto, com um tecido social formado por outras tramas, o que poderia soar como óbvio para profissionais cercados de pesquisas e insights, mas nem sempre é assim. Vez ou outra ainda derrapamos no tom, na mensagem, na representação de nossas ideias. A diferença é que hoje essas escorregadas são apontadas imediatamente pelo próprio público que as consome, pela amplificação de sua voz, via redes sociais. E esse apontamento vem acompanhado de críticas, boicotes, e puxões de orelha às marcas representadas.

 

Muitos profissionais da publicidade, e de outras áreas, ressentem-se disso e não raramente ouvimos frases surradas como “a propaganda anda muito chata”, “o mundo está chato”, “é muito mimimi”, e com frequência recorrem a um saudosismo: antes era tudo liberado e ninguém se importava.

 

Bem, independente de lados defendidos, o que existe de concreto é que o mundo mudou sim e, felizmente, andamos sempre para a frente. Não cabe mais retratarmos em nossas campanhas estereótipos caricatos ligados a gênero, orientação sexual, raça, idade, religião, classe social, deficiência ou forma física, ou qualquer característica que possa definir um indivíduo como um tipo único de consumidor. O mundo se mostrou diverso, plural e assim a publicidade deve se espelhar, afinal, é para essa sociedade que criamos nossas campanhas e vendemos os produtos de nossos clientes.

 

E para entregar campanhas diversas ainda existem algumas perguntas que são frequentemente feitas: como acompanhar isso sem errar? Como se manter completamente atualizado das pautas sociais? A resposta, na minha opinião, vem de dois lugares tão distintos, mas, ao mesmo tempo, tão íntimos:  das pessoas e da tecnologia.

 

Quando falamos de pessoas, não tem segredo nem complexidades, basta nos convencermos de que equipes diversas geram pensamentos diversos, e claro, gera conhecimento sobre os diferentes perfis de consumidor. Quando se tem profissionais negros no time de criação da agência, dificilmente a mensagem não será mais eficiente para anunciar um produto destinado a esse público, o mesmo vale para mulheres, LGBTQIA+, pessoas periféricas, idosos entre outros.

Ah, mas não existem tantos profissionais com perfis diversos disponíveis no mercado. Olha, estatisticamente isso é verdade, e é por isso que devemos lutar para isso mudar. Existem, como exemplos mais contundentes, iniciativas no mercado voltadas à capacitação de profissionais negros e periféricos para inserí-los no mercado. No campo acadêmico, temos as importantes cotas universitárias, que aumentam o contingente de jovens formados em publicidade. O que cabe às agências é o entendimento da urgente necessidade de pensar na diversidade de suas equipes para obter mais qualidade em seus serviços, e isso não tem absolutamente nada a ver com ser “politicamente correto”, isso diz respeito a resultados! A oferecer um serviço mais eficiente aos seus clientes.

 

Bem, e o outro item? A tecnologia? Não precisamos ser pessoas completamente imersas no mundo da publicidade ou do TI para sabermos que hoje não se faz campanhas apenas com “sacadas” criativas vindas de um sentimento, uma opinião pessoal. Hoje se faz comunicação com dados! Com pesquisas, com monitoramento, com testes A/B. Qualquer ferramenta de social  listening traz uma imensidão de informações a respeito de comportamentos e anseios dos consumidores. Não dar ouvidos a isso é, me perdoem, passar um atestado de obsolescência e falta de capacidade de atuar no mercado atual.

 

O caminho parece óbvio, cristalino, basta tomarmos as decisões necessárias para realizarmos as mudanças necessárias na nossa indústria, porque seguir cultuando o estereótipo Mad Men, que privilegia publicitários homens, brancos, héteros, jovens e ricos, apenas colocará as agências no mesmo contexto de época deles, ou seja, algumas décadas atrasadas.


Se ainda celebramos o Dia Mundial da Propaganda, se ainda acreditamos em nosso papel profissional, então que sejamos atentos e atualizados com o mundo que vivemos hoje.

ZAHG Academy
Marcio Jorge
Marcio Jorge Seguir

Publicitário, empreendedor, apaixonado por tecnologia e pessoas.

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