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A hora e a vez do Business Intelligence

A hora e a vez do Business Intelligence

No mundo das agências de propaganda, existe uma área em processo de extinção chamada Pesquisa de Mídia. A função desse departamento era analisar dados de audiências de meios eletrônicos e impressos, segmentos de públicos, informações econômicas, de vendas de produtos, entre outros, que davam suporte ao Planejamento de Mídia. O objetivo era orientar as melhores escolhas de canais para as campanhas das marcas e auxiliar as equipes que criavam e executavam as estratégias de compras de espaços de mídia.

Apesar do processo de finitude, a semente sobreviveu e se transformou em algo muito poderoso, principalmente no mundo digital, chamado Business Intelligence, ou mais comumente conhecido como BI.

Se antes, analisavam relatórios de papel encadernados com dados de audiências de jornais e revistas ou mesmo conjuntos de disquetes onde extraíamos números de audiências de TV e Rádio, hoje o BI é anabolizado pela tecnologia e acessa ferramentas de Analytics dos sites dos clientes, estruturam dashboards online de monitoramento de performance de campanhas, utilizam inteligência artificial para desenvolver modelos preditivos de sazonalidade de vendas e de retorno sobre investimentos de comunicação, apoiados por cruzamentos de dados de vendas. De maneira muito pragmática, não é exagero dizer que existe uma infinidade de possibilidades de análises para o BI entregar aos anunciantes.

O profissional de BI tem um status muito mais elevado que seu antepassado Pesquisa de Mídia e não é pra menos. A publicidade digital é impregnada de informação e o BI é o farol que guia o planejamento estratégico nesse nevoeiro de dados. A visão desses profissionais no acompanhamento dos resultados das campanhas das agências e sobretudo na influência das mesmas no negócio do cliente é privilegiada.

Uma equipe de Business Intelligence com expertise e ferramentas tecnológicas adequadas consegue realizar estudos que podem prever perdas e lucros das marcas, atribuindo o peso que os investimentos de mídia exercem sobre os resultados em suas vendas. Conseguem fazer análises precisas a respeito do público mais qualificado e eficiente para cada produto anunciado, estabelecendo jornadas de consumo, relações entre canais de comunicação, efetividade de navegação nos sites dos clientes, sejam eles voltados ao Branding ou e-commerce. Esse profissional pode inclusive interferir no processo de produção e design das marcas ao apontarem padrões de consumo e comportamento dos consumidores de seus produtos. Enfim, existe um universo inteiro a ser explorado e desenvolvido, pois temos barreiras a serem ultrapassadas no campo da análise de dados de comportamentos do consumidor, de previsibilidade de ações, de antecipação de decisões, e outros temas e desafios que tornam-se cada dia mais complexos quando jogamos a luz da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) sobre eles. O desafio do BI é desenvolver a acuracidade da análise, respeitando a privacidade individual do cidadão, e essa não é uma tarefa que possa ser considerada nem de perto como fácil.

É justamente por essa complexidade de variáveis e possibilidades de entendimentos, que acredito que um departamento de Business Intelligence tem que ser formado por pessoas com diferentes talentos, tem que ser um caldeirão onde misturam-se matemáticos, estatísticos, desenvolvedores de TI, publicitários, economistas, entre outros que possam colaborar com uma diversidade de ideias, gerando maior capacidade de leitura de diferentes ângulos da informação.

Falaremos e discutiremos ainda muito sobre BI nesse espaço.

ZAHG Academy
Marcio Jorge
Marcio Jorge Seguir

Publicitário, empreendedor, apaixonado por tecnologia e pessoas.

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