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Minorias e publicidade: o oficial e o oficioso nas marcas brasileiras.

Minorias e publicidade: o oficial e o oficioso nas marcas brasileiras.

O mês de janeiro é dedicado à visibilidade trans e, cada dia mais, vemos casos de transfobia, homofobia e feminicídio. Com esses dados, conseguimos afirmar que estamos progredindo ou retrocedendo em nossas relações interpessoais de sociedade?

                                             (Ilustração de Lana Flowerz)

 

Publicidade e diversidade: expectativa versus realidade

Já parou para pensar que uma campanha publicitária precisa da aprovação de diversos setores antes de ir ao ar? Será que, entre as pessoas que aprovam, nenhum negre, LGBTQIA+, PCD, mulher, e outras diversas minorias foram consultades para a aprovação ou reprovação dessa comunicação?

Bem, após essas duas primeiras questões levantadas acima, podemos realmente dar início ao nosso papo, que permeia as questões de representação midiática por valores ou por oportunismo. Dentre as questões oportunistas, temos assuntos como o Pink Money, o ato de lucrar em cima da comunidade LGBTQIA+, vendendo produtos ou tomando as dores da comunidade em suas pautas, apenas para “lacrar” e conseguir a visibilidade tão desejada por essa parcela dos consumidores. Inclusive, uma das que possui um dos maiores tickets médios e costuma ter grande apreço por marcas de luxo.

 

ATENÇÃO, leitores!

Este artigo é uma discussão expositiva argumentativa e, em nenhum momento, levantarei conclusões, darei dicas ou direi os direcionamentos para uma campanha perfeita e sem erros para que todes fiquem satisfeitos e se sintam representados. Contudo, tenho como finalidade expor a nossa visão como consumidores de publicidade, de produtos e, por fim, o meu olhar de publicitário.

Mercado publicitário: existe diferença entre ser plural e diverso?

O mercado publicitário é extremamente plural, vemos de pessoas formadas em publicidade a até mesmo engenheiros aeronáuticos que acabam ingressando em nossa área. Mas o que não vemos é a inclusão de pessoas que pertencem a minorias sociais ocupando esses espaços. Somente assim será possível existir um filtro maior dentro das agências publicitárias a fim de evitar campanhas com teor racista, xenofóbico, capacitista, machista, LGBTQIA+fóbico, entre outros.

E como podemos trazer uma publicidade plural e diversa?

É muito mais simples do que imaginamos! Precisamos contratar pessoas que vivam esse universo. Precisamos contratar negres, asiatiques, PCD’s, pessoas com expressão de gênero que sejam fora do binário, mulheres, LGBTQIA+, precisamos de REPRESENTATIVIDADE dentro das agências para discutirmos sobre DIVERSIDADE. Afinal, um homem cis hétero branco não sabe quais são as necessidades de uma mulher trans panssexual negra, por exemplo.

Sendo assim, venho propor um exercício a vocês: quantas pessoas na empresa em que atuam são negras? Quantas são asiáticas? Quantas são PCD’s? Esse número, para você, comparado ao número total de colaboradores, faz sentido? Você acredita que essas pessoas que são minorias são ouvidas? Acredita que trabalhar onde trabalham promove um safe place para o diálogo?

 

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Ricardo Fujihara
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